Fujo ao mesmo tempo em que tento não fugir. Covarde nas atitudes mais heróicas.
Hoje sonhei com um piquenique. Me perguntavam o significado do lego tatuado no meu peito, respondia que era o coração que um dia eu tive. Me levaram embora, e no lugar vazio encaixei um belo iceberg. A peça mais bonita tatuada, que sangrava, era lembrança da dor, ainda ali. Todos temos nossas covas no quintal, nossos esqueletos no armario, nossas caixas da vergonha e arrependimento.
Digo não desistir mas é isso que faço por toda a minha vida.
Boto a culpa num canto vazio, nos testes de IntEco, nas dúvidas de ICP, nas aulas de IAntro, no desespero de ISol.. Mas a culpa é toda minha, como raras vezes realmente é, mas que sempre queria que fosse. Sempre dizia que era. E não admitir a falta que me faz é o maior mamute na loja de porcelana que já tive na vida. Desfile de tapas na cara, que na verdade são só palavras tentando fazer efeito. Uma brutalidade só minha.
A proposta de uma viagem desvairada por trocentos lugares incomuns me parece um sumiço eficiente. Um retiro mais eficiente que a clausura do meu quarto.
Não tive um visgo natalino, mas não precisava.
Receio insistir e não ser o pedido. Temo apagar e perder a chance. Mentes as nossas, das mais complicadas de se decifrar.
Li um texto dia desses, mais um dedicado a mim, e a crise crescendo.
Todos felizes, todos gostando, e eu me “miserificando”.
Ontem me questionaram a respeito da minha felicidade. Admiti que ela não era uma realidade tão presente, e à medida que essas palavras me saíam à boca percebi que não haviam mais lágrimas a derramar quanto a esse ponto. Me disseram não crer, por eu parecer sempre vívida em alegria, e pela primeira vez consegui transcrever na fala o que por muito tempo não soube expressar.
Os abraços que recebo não satisfazem a sede que tenho. O contato que me tentam sanar gera repulsa em alguns casos. Uma vida familiar se desmantelando, todos observam qual um prédio a desabar, mas não reagem. O tempo acontece.
Lágrimas de mim somente saem ao escrever, ao desenhar, ou ao ouvir musicas. Momentos em que não sou eu mesma, e me pergunto se quando não saem sequer estou sendo minha real identidade.
Perdi esse conhecimento quando me matriculei na universidade.
Vejo muitas pessoas naqueles corredores que não muito mais a mim do que eu.